“O sangue me subiu a cabeça! Seu corpo delatava seus sentimentos. Sobretudo aqueles olhos, aquele olhar, distante e presente.”
E foi neste breve momento que suas almas se encontraram. Estavam magoados, com raiva, mas foi ali que se amaram. Não como homem e mulher, como mãe e filho, como amigo, mas unicamente como pessoas.
“Alguem abre a porta. E novamente eramos eu Paulo e ela Mirian”
O barulho toma conta da sala. Toda famillia havia chegado e logo os amigos tambem chegariam. A festa ia começar.
Mirian, ainda atordoada, tenta remontar aqueles cinco segundos, que por sua simplicidade e profundidade colocaram a beira do precipicio tudo que até então era importante. Sente medo, sabe que algo morreu, mas que também algo acabara de nascer, algo desconhecido e inominavel.
Paulo foge, sai da sala. Nunca pensou ser possivel sentir aquilo. Nunca esteve tão sem defesa e tão seguro.
Ambos sabiam, tudo estava prestes a mudar. E nenhum deles sabia em que direção, so uma coisa era certa... seria intenso.
“Paulo! Pra onde voce foi?! Vamos... aperece!”
Mirian havia decidido. Ia embora. Ou melhor, pra ela parecia que havia decido voltar de onde nunca partiu.
“Amo meus filhos, minha familia, amo Paulo, amo a mim. Entretanto não sei quem ou que sou, eu me perdi. Não sei onde nem como, mas deixei de ser eu. Levo a vida que escolhi, sou feliz, ainda assim posso... escolher outra vida. Sim outra vida. Adeus, eu os amo!”
A noite estava fria, seu corpo quente, talvez fosse o vinho. Não! Era ele, somente ele... olhando pra tudo que as luzes escondiam. Era o lado escuro da sua alma, o lado “desconhecido”, ou seria melhor dizer ignorado? Algo tinha que ser feito. Mas não agora. A festa tinha que acontecer, todos a estavam eperando, o buffet estava pago, os convidados ja estavam chegando. Amanhã. Sim amanhã ele iria procura-la, iria resolver tudo.
Dizem que quem esta sempre viajando é porque esta procurando "algo". Bem se assim o é... espero nunca enontrar!
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Contos de 2006
1 – 12 -2006
Todos os dias. Acordo, permaneço deitado, contemplo o teto, mas não o vejo. Procuro, em cada som, cada cor, cada frio e cada calor, nas palavras faladas, nas nunca ditas. Me encontro, perdido em caminhos já conhecidos. Todos os dias são diferentes. Todos os dias… vou até aquela biblioteca, escuto, toco, sinto, procuro aqueles livros, aquela mesa… as vezes tenho fome, outras não, mas sempre como naquele horário. Estou sempre a espera-la, há dias que ela vem, outros não, mas eu estou lá.
Durmo, ou acordo, algumas vezes é difícil saber onde um começa e o outro acaba. Tudo acaba sempre! E começo, mais um dia. Mas um dia irei inventar um outro dia diferente de todos esses dias, pois ei de acabar aqueles livros. Então terei fome, ficarei de pé, ou andarei, sem espera-la.
Vou correr, longe, sozinho, no escuro, vou viver. Habitar novos hábitos, diferentes da vida habituada aos sempre mesmos riscos.
Talvez seja ela... não quero que seja. Porém se tiver de ser alguem... que seja ela. Acho que ainda não estou pronto... Mirian ainda invade meus sonhos. Não a desejo, tambem não a repudio. Nòs nos encontramos, naquele dia, naquele instante, nòs mudamos. Ela ficou eu fui, ou foi o contrario.
E agora quando ja estava habituado a essa solidão, essa estranha invade meu mundo. Me olha, me ve, e mesmo sem nunca ter-mos nos tocado ela me toca, todos os dias, sempre, mas não é meu corpo, talvez seja minha al... não! Estou pensando demais, isso não faz bem, começo a imaginar coisas sem sentido, Alma, Deus, coisas. Não as quero! Sò quero o real! Ainda assim aquele olhar.... em algo toca e não é meu corpo.
Amanhã não irei! Esta feito.
2 – 12- 2006
Hoje foi estranho, simplesmente saltei da cama, não pensei, não olhei. Senti um chero forte, café, sim um bom café. Acho que foi a primeira vez em muito tempo que senti o sabor de algo. Hoje foi diferente, eu a esperei la fora, em pé. Ela foi, não disse nada, mas me acompanhou, ou foi o contrario, eu sorria. Não sei de que, sò sorria.
As vezes é preciso ir muito longe para descobrir o que sempre esteve em voce, outras basta parar e escutar. As vezes é preciso sonhar para acordar, outras basta realizar. As vezes sou feliz.
Eu venho me tornando eu mesmo ja a algum tempo, mas hoje eu me reconheci no espelho. Era eu, vivo, tinha algo nos meus olhos, era algo maior que eu. Era eu, o meu projeto de mim mesmo. Talvez isso seja minha alma, sim talvez seja. Minha alma, projeto de mim mesmo. Eu.
Nada foi falado mas ela entendeu, fomos andar no parque, calados, parando, tocando. Vi o olhar que me olha, vi a mim e a ela nesse olhar. Minha mascara havia caido. Uma duvida me ocorreu.... o que ha abaixo das mascaras?
Todos os dias. Acordo, permaneço deitado, contemplo o teto, mas não o vejo. Procuro, em cada som, cada cor, cada frio e cada calor, nas palavras faladas, nas nunca ditas. Me encontro, perdido em caminhos já conhecidos. Todos os dias são diferentes. Todos os dias… vou até aquela biblioteca, escuto, toco, sinto, procuro aqueles livros, aquela mesa… as vezes tenho fome, outras não, mas sempre como naquele horário. Estou sempre a espera-la, há dias que ela vem, outros não, mas eu estou lá.
Durmo, ou acordo, algumas vezes é difícil saber onde um começa e o outro acaba. Tudo acaba sempre! E começo, mais um dia. Mas um dia irei inventar um outro dia diferente de todos esses dias, pois ei de acabar aqueles livros. Então terei fome, ficarei de pé, ou andarei, sem espera-la.
Vou correr, longe, sozinho, no escuro, vou viver. Habitar novos hábitos, diferentes da vida habituada aos sempre mesmos riscos.
Talvez seja ela... não quero que seja. Porém se tiver de ser alguem... que seja ela. Acho que ainda não estou pronto... Mirian ainda invade meus sonhos. Não a desejo, tambem não a repudio. Nòs nos encontramos, naquele dia, naquele instante, nòs mudamos. Ela ficou eu fui, ou foi o contrario.
E agora quando ja estava habituado a essa solidão, essa estranha invade meu mundo. Me olha, me ve, e mesmo sem nunca ter-mos nos tocado ela me toca, todos os dias, sempre, mas não é meu corpo, talvez seja minha al... não! Estou pensando demais, isso não faz bem, começo a imaginar coisas sem sentido, Alma, Deus, coisas. Não as quero! Sò quero o real! Ainda assim aquele olhar.... em algo toca e não é meu corpo.
Amanhã não irei! Esta feito.
2 – 12- 2006
Hoje foi estranho, simplesmente saltei da cama, não pensei, não olhei. Senti um chero forte, café, sim um bom café. Acho que foi a primeira vez em muito tempo que senti o sabor de algo. Hoje foi diferente, eu a esperei la fora, em pé. Ela foi, não disse nada, mas me acompanhou, ou foi o contrario, eu sorria. Não sei de que, sò sorria.
As vezes é preciso ir muito longe para descobrir o que sempre esteve em voce, outras basta parar e escutar. As vezes é preciso sonhar para acordar, outras basta realizar. As vezes sou feliz.
Eu venho me tornando eu mesmo ja a algum tempo, mas hoje eu me reconheci no espelho. Era eu, vivo, tinha algo nos meus olhos, era algo maior que eu. Era eu, o meu projeto de mim mesmo. Talvez isso seja minha alma, sim talvez seja. Minha alma, projeto de mim mesmo. Eu.
Nada foi falado mas ela entendeu, fomos andar no parque, calados, parando, tocando. Vi o olhar que me olha, vi a mim e a ela nesse olhar. Minha mascara havia caido. Uma duvida me ocorreu.... o que ha abaixo das mascaras?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
um conto
É uma vez, e tantas outras, um homem, que sempre foi vários, e que buscava. Todos os que com ele se encontraram, perguntavam o que busca. O homem, que era um, mas também vários, abismado com a pergunta respondia sempre e de forma desconfiada e sem muito jeito, “não sei!”. As pessoas por sua vez ainda mais abismadas gritavam com os olhos e em silencio se perguntavam, e afirmavam, “quem é este, quão louco ele é? É um perdido....!”
Ainda assim, com toda gritaria e com todo o silencio, o homem, que era um mas também vários, experimentava, e caminhava, parava, chorava, retrocedia, corria,desistia , lutava, mas a cada manha tinha sempre um sonho. E dessa forma conhecia sempre mais, mais compreendia que sabia muito pouco. Não se pode dizer que era a frente de seu tempo, tampouco que era do passado, era sim do presente. Mas homens do presente dificilmente encontram pares, geralmente aqueles vem a conhecer estão no passado ou no futuro. É difícil encontras homens no presente.
Um dia caminhando pelas estradas por ele inventadas encontrou o tédio. Parou. E como uma vitima complacente padecia do veneno. E assim esteve por anos. Nesses tempos era somente o passado que batia em sua porta. Seus dias mais pareciam um cortejo fúnebre sem ponto de chegada e sem corpo. Um crime perfeito havia sido cometido,sem culpados, sem armas, sem vitimas, sem vestígios. O homem que era um, mas também vários, se deu um nome, um destino, e tornou-se um homem.
O cães ladram, mas a caravana não para. O mundo continuava, os projetos as historias.
Agora velho o homem, que outrora fôra muitos, sente a musica do fim, que se aproxima sempre mais e cada vez mais aguda.
Mas já la, a uma passo do esquecimento algo o perturba. E num ato impensado agarra papel e caneta. Escreve... escreve.... e escreve ainda por outros tantos dias e noites.
Ele morre.
Entretanto não desaparece, e sua jornada, hoje mito, é como uma lamparina que guia aos que são um, mas também vários, e que se lançam na vida e fazem do verbo uma grande skhole.
Ainda assim, com toda gritaria e com todo o silencio, o homem, que era um mas também vários, experimentava, e caminhava, parava, chorava, retrocedia, corria,desistia , lutava, mas a cada manha tinha sempre um sonho. E dessa forma conhecia sempre mais, mais compreendia que sabia muito pouco. Não se pode dizer que era a frente de seu tempo, tampouco que era do passado, era sim do presente. Mas homens do presente dificilmente encontram pares, geralmente aqueles vem a conhecer estão no passado ou no futuro. É difícil encontras homens no presente.
Um dia caminhando pelas estradas por ele inventadas encontrou o tédio. Parou. E como uma vitima complacente padecia do veneno. E assim esteve por anos. Nesses tempos era somente o passado que batia em sua porta. Seus dias mais pareciam um cortejo fúnebre sem ponto de chegada e sem corpo. Um crime perfeito havia sido cometido,sem culpados, sem armas, sem vitimas, sem vestígios. O homem que era um, mas também vários, se deu um nome, um destino, e tornou-se um homem.
O cães ladram, mas a caravana não para. O mundo continuava, os projetos as historias.
Agora velho o homem, que outrora fôra muitos, sente a musica do fim, que se aproxima sempre mais e cada vez mais aguda.
Mas já la, a uma passo do esquecimento algo o perturba. E num ato impensado agarra papel e caneta. Escreve... escreve.... e escreve ainda por outros tantos dias e noites.
Ele morre.
Entretanto não desaparece, e sua jornada, hoje mito, é como uma lamparina que guia aos que são um, mas também vários, e que se lançam na vida e fazem do verbo uma grande skhole.
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